É-nos contado que nascera um gladíolo ainda mais mundano que todos os outros e que o seu único desejo era ser colhido pelo jardineiro para ser colocado nas jarras que enfeitavam as salas das festas que a dona da casa costumava dar.

Quando descobriu que tão cedo não iria ser cortado pois a sua dona já estava farta de ver gladíolos em todas as festas a que ia, o seu coração ficou cheio de pena de não ter sido colhido.

Depois de espreitar a festa que decorria na casa dos seus donos sentado entre as folhas dos ramos de um Carvalho, de saber informações sobre alguns dos convidados e depois de a festa ter terminado, decidiu dar, à noite, uma festa de flores igual às festas das pessoas. Aconselhado pelo Carvalho, teve de pedir licença ao Rapaz de Bronze para realizar essa festa.

O Rapaz de Bronze era uma estátua que de dia não se mexia mas que à noite falava, caminhava e dançava. Era o rei do jardim e da noite, o senhor dos parques, do pinhal, dos pomares e do campo e, todas as árvores, animais e plantas lhe obedeciam. O Rapaz de Bronze acabou por autorizar a realização da festa duas noites depois, porque, apesar de pensar que tudo era uma festa para ele e todos no jardim, viu que o Gladíolo estava muito triste e teve pena dele.

Depois de ter autorização do Rapaz de Bronze, o Gladíolo, ao colo do vento, foi ter com as flores da estufa e os três – Gladíolo, Begónia e Orquídea – discutiram muito para saber quem deveria fazer parte da Comissão Organizadora do Grande Baile de Flores – eles os três, a Tulipa, o Cravo e a Rosa.

Guilherme Morgado, n.º 5

Mariana Nobre, n.º 14

Sara Mateus, n.º 19